Socorro, as vovós sumiram!

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Socorro, as vovós sumiram!


 

Céus!
De repente, me dou conta de que as vovós estão morrendo.
Não no sentido do óbito inevitável a qualquer ser humano, mas como instituição de nossas rotinas familiares e de nossas fantasias mais pueris.
Na intimidade do meu quarto, entre uma reflexão e outra sobre o sentido da vida e da morte, me dei conta que as avós são uma espécie em extinção.
Não estou falando simplesmente da mãe de nossos pais; me refiro àquela doce avozinha , senhora cheia de virtudes e sapiência, que enrolada em seu xale, não hesitava em nos dar exemplos de retidão e lisura de princípios.
Falo daquela encantadora velhinha sempre pronta a nos acolher no colo e nos fartar de quitutes, que só elas sabem (ou sabiam) fazer.
Estou divagando sobre o paradeiro daquelas vetustas fadas disfarçadas de membros da família, que povoavam nossos sonhos e nos enchiam de mimos, prontas a saciar nossas carências afetivas de infância e adolescência.
Onde elas foram parar?
Parecem ter tomado chá de sumiço.
As avós agora são bem diferentes.
A maioria não convence, nem faz questão de convencer , no papel de rainhas-mãe da célula doméstica.
Perdoem-me os arautos da moralidade, os defensores das eternas ilusões, mas as avós do ano 2008 são “uma brasa, mora “.
Não tentem negar: muitas mandaram tudo para o inferno, deram no mínimo uns peguinhas na juventude, beberam todas, cheiraram lança-perfume (só pra ver como é que é), adoraram curtir uma festinha de arromba (com amor livre na madrugada) e infernizaram a vida dos pais com suas mini-saias e biquínis de helanca.
É ou não é verdade?
Queiram ou não, estes sãos os antecedentes desta geração de que está surgindo.
Longe vão os tempos em que a abnegada Chapeuzinho Vermelho corria um risco danado atravessando a floresta para levar uns doces para a vovozinha, coitada, que vivia isolada naquela cabana no mato.
Aliás, por que os pais da menina mantinham a velhota à distancia, mesmo sabendo que ela não ia bem de saúde?
Sem falar daquele lobo que vivia rondando a casa!
E a adorável dona Anastácia do Sítio do Pica-Pau Amarelo, onde terá ido parar?
E a vovó Donalda com suas deliciosas tortas de maças?
Definitivamente, os tempo são outros.
Ser avó é uma outra história, bem mais complexa.
Nos dias atuais quem quiser montar um cestinho de agrados para a vovó pode ir se preparando: doces ( só diets), um kit de congelados (ela não quer mais saber de forno e fogão), um licorzinho ou uma cachacinha cai bem.
Inclua ainda uma cartela de Lexotan( vovó agora dorme mal) , um tênis e uma malha para suas caminhadas de fim de tarde, talvez uma assinatura da Revista G Magazine, muitos cremes hidratantes e depilatórios.
Ah, não esqueçam de uma caixa de preservativos.
Afinal, se a vovó é viúva, nunca se sabe……….

Juarez Porto
Transcrito do Jornal de Santa Catarina

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