A cura que vem do mar

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A cura que vem do mar

Cientistas encontram em estrelas-do-mar, crustáceos e outros seres marinhos substâncias que combatem asma, artrite e câncer

FONTE

Os corais estão entre os principais alvos de estudo

A procura por substâncias com propriedades medicinais está levando os cientistas para o fundo dos oceanos. Dezenas de companhias de biotecnologia estão mapeando as águas dos cinco continentes para delas extrair amostras dos mais variados seres de vida marinha. Um dos pesquisadores mais empenhados no estudo dos segredos do mar é Craig Venter, pioneiro no sequenciamento do código genético humano. Ele lidera a Expedição Sorcerer II (em inglês, sorcerer quer dizer feiticeiro), que singra os mares desde 2009 para coletar exemplares. Antes ancorados no Mediterrâneo, os barcos de pesquisa de Venter irão agora à costa da Flórida, nos Estados Unidos.

Como resultado dessa corrida ao mar, nos últimos anos surgiram medicamentos como a tradectadina (nome comercial Yondelis) da indústria espanhola PharmaMar. O remédio chegou a ser usado pelo ex-vice-presidente José Alencar na sua luta contra o câncer. O Yondelis é feito de uma substância retirada dos tunicados, família de animais marinhos. Outro remédio é o ziconotida (o Prialt), um potente analgésico que é uma versão sintética de um princípio ativo natural encontrado em caracóis marinhos. É indicado para pessoas com dores há mais de seis meses e o único que não é derivado do ópio já aprovado para o tratamento da dor crônica severa.

PROMESSA

Estrela-do-mar possui composto que pode ser eficaz contra asma
Outras drogas estão em estudo. Na Europa, estudiosos do Centro Europeu de Biotecnologia Marinha estão animados com a possibilidade de descoberta de uma alternativa de tratamento contra a asma e a artrite. “Encontramos em estrelas-do-mar uma substância que poderá ser uma nova terapia anti-inflamatória para essas enfermidades”, disse à ISTOÉ Charlie Bavington. Na última semana, a PharmaMar anunciou o início de mais um ensaio clínico para avaliar a tolerância em pacientes de um produto derivado de moléculas marinhas que mostrou boa ação contra tumores sólidos. Se der certo, será o sexto composto desenvolvido pela empresa com sucesso.

Outra consequência desse mergulho nos oceanos é a criação de bancos de micro-organismos e substâncias extraídas das várias formas de vida marinhas, como estrelas-do-mar, esponjas, corais e tunicados. Nesse campo, a meta da Bioalvo, empresa líder em biotecnologia em Portugal, é em dois anos oferecer 50 mil extratos originários de ecossistemas únicos daquele país. “Produzimos os extratos e as indústrias cosméticas e farmacêuticas os avaliam”, explicou à ISTOÉ Helena Vieira, dirigente da empresa e professora da Universidade de Lisboa.

PESQUISA

Luesch isolou composto de bactéria marinha eficaz contra tumor

Nesse campo de pesquisa, a especificidade dos achados conta muito. A expedição europeia Mamba, por exemplo, foi a 3,5 mil metros de profundidade na Líbia e na Sicília para capturar micro-organismos extremófilos, acostumados a viver em águas com altos níveis de sal. Os pesquisadores acreditam que eles podem produzir enzimas valiosas.

Porém, é sobre os micróbios do mar que os pesquisadores depositam suas grandes esperanças. Em cerca de um litro de água marinha, há pelo menos 25 mil tipos de micro-organismos. “Eles vivem livres ou em associação com estrelas-do-mar e corais”, diz Henrik Luesch, da Universidade da Flórida. Ele e sua equipe localizaram uma nova substância, o largazole, em um micro-organismo da família das cianobactérias, a Symploca. O composto mostrou boa ação contra tumor de colo-retal em testes concluídos em camundongos.

Resta entender por que os cientistas se lançam ao mar em uma época na qual é possível desenhar drogas sintéticas de grande eficácia na segurança do laboratório. “Os organismos marinhos sobrevivem em ambientes adversos, como a pressão elevada, excesso de sal ou falta de luz, e desenvolveram defesas para preservar sua vida nessas condições. A medicina está interessada na sua estrutura e nos seus mecanismos”, sentencia o cientista Gilberto Schwartzmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que participa de estudos internacionais com organismos marinhos.

 

Fonte : Mônica Tarantino
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