Medicina Herbal

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O uso terapêutico isolado ou combinado, de plantas para tratamento de doenças data de cerca de 5.000 anos da nossa era. Tanto os egípcios como os sumerios indicam em textos decifrados pelos estudiosos que o alho, ópio, menta, vários tipos de infusões (chás medicinais) já faziam parte do arsenal terapêutico dos médicos destas antigas civilizações. Mas não há muita dúvida de que o herbalismo chinês, pela sua importância e amplo uso em vários países asiáticos (além da China), seria o mais importante.

Um documento sobre Medicina Herbal, datando de 2700 anos aC, lista cerca de 365 plantas medicinais e as suas respectivas ações terapêuticas. As gerações sucessivas de médicos chineses ampliaram este arsenal herbalista e no século VII de nossa era surgiu o “Tratado da Natureza e uso de Plantas Medicinais”. Nestes textos antigos nota-se que existe muito influência filosófica (Teoria Confunciana), poética e apelo a influências cósmicas. Não se pode comparar a Medicina Herbal dos Chineses com nossa maneira de utilizar um remédio para determinada moléstia.

Geralmente o médico chinês usa combinações de várias plantas. Em tais panaceias existe o componente que, sob o ponto de vista hierárquico, é o mais importante (em chinês: o “rei” da preparação terapêutica), ao qual se agregam outras comparáveis aos ministros do rei, que são auxiliares na “cura” do problema.

Para completar a fórmula agregam-se as ervas adjuvantes (plantas comparáveis aos militares) e as ervas secretas. Portanto a Medicina Tradicional Chinesa usa os vários componentes de acordo com a idade, o sexo, a corpulência, as manifestações clínicas e emocionais, bem como a influência cósmica, o horóscopo do dia, a data do nascimento. Todos estes fatores clínicos, filosóficos e cósmicos individualizam a preparação para cada paciente.
A Medicina Herbalista também floresceu na Índia com o nome genérico de Ayurvedica que significa “conhecimento da vida’. Além de combinar várias ervas medicinais associam ao processo da cura um sistema de remover toxinas e equilibrar os vários humores do corpo. Portanto as ervas Ayurvedicas combinam a experiência com filosofia, tal como o herbalismo chinês. Os principais componentes do herbalismo chinês
Hoje nota-se uma tendência, cada vez mais popular e difundida, de uso de plantas medicinais que seriam mais naturais, menos tóxicas, não contaminadas pelo mercantilismo e avidez de lucros das grandes indústrias farmacêuticas. O uso de chá verde vem crescendo de forma linear nas civilizações ocidentais. O chá verde resulta de uma infusão de folhas do arbusto Camélia sinensis, que são coletadas ao fim da primavera, com um mínimo de talo e não sofrem processo de oxidação e fermentação como o tradicional chá preto.

Cada província da China produz o seu chá verde tal como as regiões vinícolas da França, por exemplo, apregoam que o vinho ali produzido é o melhor. A província de Zhejiang é considerada como produtora do melhor chá verde do mundo. O processo de servir o chá verde é importante e tradicional. Usa-se cerca de 4 gramas do chá em 250ml de água (pouco mais que um copo comum). A água fervente é vertida sobre o chá verde e o tempo de cocção não deve ultrapassar de 2 a 3 minutos. Desta forma os componentes do chá verde são extraídos das folhas.
O mais importante componente é a cafeína, a qual está em proporção quase tão elevada quanto à que se encontra no café. Alguns tipos de chá verde chegam a ter 32mg de cafeína por xícara. Além da cafeína o chá verde contém Teofilina e Teobromina. Devido a estes estimulantes, estudos conduzidos no Japão indicaram que o uso de chá verde leva a aumento da oxidação de gordura corporal (o gasto energético eleva-se em 17% comparando com o valor basal). Tal fato levou os cientistas japoneses a admitir que o uso diário de 1,5 litro de chá verde pode significar queima adicional de 70 a 80 calorias.
Outros efeitos benéficos do chá verde estão ligados ao colesterol. Comprovadamente o uso diário de chá verde reduz o mau colesterol (LDL) e eleva o bom colesterol (HDL). O chá verde tem ação nas membranas celulares, inibindo os radicais livres e prolongando a vida da célula. Teria ainda efeitos positivos em doenças degenerativas do sistema nervoso central (Alzheimer e Parkinson). Pode ser útil na esclerose múltipla. Estas ações terapêuticas do chá verde não foram, todavia, confirmadas pelo órgão oficial de medicamentos dos Estados Unidos. Em estudos a longo prazo, o uso diário de chá verde contribui para maior longevidade e significativo declínio da prevalência de câncer em populações orientais.
A planta chamada de Ma Huang (Ephedra Surica)

Infusões realizadas com esta erva medicinal chinesa vem sendo usada por milhares de anos como diurético, antifebril, adstringente e antitensígeno. A base química do MA HUANG é a efedrina, que, há muitos anos, na farmacopeia ocidental, é altamente eficaz para as crises de asma, congestão nasal além de moléstias respiratórias. Na complexa medicina chinesa o MA HUANG é um dos componentes mais importantes das formulações multi-herbais.

Estas fórmulas elevam a moral, aumentam o dinamismo, conduzem ao estado de alerta e de energia positiva. Além disso, reduzem o apetite e é utilizado para induzir perda ponderal no obeso. Este efeito redutor de peso é devido ao estímulo adrenérgico e a permanente exaltação psíquica. Todavia existe o risco de efeitos colaterais como taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), possibilidade de hipertensão, nervosismo, tremuras dos dedos e insônia.

Os efeitos são minorados com o uso de doses menores da formulação herbal. Nas farmácias herbais das comunidades chinesas de Nova York e San Francisco o MA HUANG é sempre encontrado em “misturas herbalísticas”, que contém cerca de 13mg de efedrina. Tal dose não deve ser usada por mais de 3-4 semanas.
O gengibre (Zingber Officinales) e o alho
O extrato da raiz do gengibre é usado como digestivo e para moléstias do estômago. Mas o seu maior campo de ação é minorar os efeitos da náusea provocados pelo balanço do barco (ou outro veículo), ou seja, o enjoo do movimento. Por outro lado o gengibre aplicado localmente possui nítidos efeitos anti-inflamatórios em casos de artrose, artrites, contusões.
O alho (Allium Sativom) tem sido apregoado como um excelente agente no sentido de baixar o colesterol e, consequentemente, de prevenir as doenças coronarianas. É, possivelmente, um dos mais antigos vegetais de uso medicinal. Vários estudos documentam a ação protetora do alho tanto no controle da pressão alta como na formação de placas de colesterol dentro de artérias.
Muito recentemente cientistas chineses documentaram que o uso contínuo de Tanshinone (ou Tan) – um componente ativo do Radix Salvia miltiorrhiza (raiz de sálvia) – reduz o peso corporal e diminui o nível de lípides (gordura) na circulação. Verificaram também que o Tan age elevando a sensibilidade à insulina, diminui o número de adipocitos (células que contêm gordura) e eleva o gasto energético. Conclusão: a tradicional medicina chinesa está nos ensinando a tratar a obesidade de forma mais natural e segura.

Por Geraldo Medeiros Médico endocrinologista Professor da USP
 
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