Va Pensiero

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Aconteceu no mês de Março deste ano e foi um momento inesquecível.


Riccardo Muti acabara de reger o célebre coro dos escravos, Va pensiero, do terceiro ato de Nabucco, e o público do Teatro da Ópera de Roma, aplaudia incessantemente e bradava bis!
(Cabe lembrar que, para além de sua intrínseca beleza, que é inexcedível, o VA PENSIERO foi também uma espécie de hino informal dos patriotas do Risorgimento – e daí o enorme apelo emocional que preservou entre os italianos.)

Que faz, então, Ricardo Mutti?
Volta-se para a platéia e, depois de recordar o significado patriótico do Va pensiero, pede ao público presente que o cante agora, com a orquestra e o coro do teatro, como manifestação de protesto patriótico contra a ameaça de morte contida nos planejados cortes do orçamento da Cultura.

O famoso coro “Va pensiero“, da ópera Nabucco, de Verdi, representa a tristeza dos judeus subjugados pelos babilônios.
Com essa mensagem, o compositor conseguiu burlar a censura, camuflando a revolta dos italianos com a ocupação austríaca.
Nabucco é uma ópera em quatro atos de Giuseppe Verdi, com libreto de Te mistocle Solera, escrita em 1842.
Houve desde o princípio uma imediata associação entre as desgraças dos judeus no Eufrates (escravizados pelo rei Nabucodonossor da Babilônia), com os que a maioria dos italianos sofria naquele momento.
No dia da estréia da ópera Nabucco, o 9 de março de 1842, mal o coro ter encerrado o último verso (IIIª Parte, cena IV), no qual os prisioneiros pediam inspiração para resistir com coragem as aflições, a Itália sentiu que ali nascia uma versão muito própria, totalmente sua, da “Marselhesa” .
Desde então Va, pensiero,… consagrou-se como o hino da unificação italiana, enquanto o nome de Verdi circulou entre os patriotas como um anagrama (Vittorio Emmanuel Rè d’Italia).
A meta unitária afinal somente atingiu êxito dezenove anos depois, em 1861, quando o rei Vitório Emanuel II do Piemonte foi proclamado rei da Itália (Roma somente integrou-se a ele em 1871, depois da retirada das tropas francesas que protegiam o papa).
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