O que é um balão intragástrico?

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Balão-dentro-do-estômago

O balão intragástrico foi desenvolvido no início dos anos 80, com base em uma observação feita quase ao acaso. Médicos alemães constataram que pacientes com distúrbios psiquiátricos que comiam cabelo perdiam mais quilos em relação aos que não apresentavam o distúrbio.

Ao submeterem os doentes a exames de imagem, eles verificaram que a causa da perda de peso era o bolo de fios que se formava no estômago, provocando a sensação de saciedade. Desde então, vários modelos de balão foram testados. Alguns eram grandes demais e impediam totalmente a passagem dos alimentos. Outros furavam com facilidade. O tipo utilizado atualmente é feito de silicone

Com resultados rápidos, o balão intragástrico é vendido como a melhor alternativa para quem tem uns quilos a mais. Mas a realidade não é tão simples.

Desde que foi lançado, na década de 90, o balão intragástrico tornou-se um dos principais tratamentos para a obesidade mórbida. A técnica, que consiste na colocação de uma bexiga no estômago de modo a dar a sensação de saciedade ao organismo, é indicada sobretudo para preparar os pacientes que passarão por cirurgias de emagrecimento. Faz com que eles percam peso antes do procedimento de redução estomacal, diminuindo, assim, os riscos a que ficam expostos.

Recentemente, o balão começou a ser utilizado também por um tipo de paciente que está longe de precisar de qualquer operação — aquele que exibe apenas alguns quilos a mais. De fato, a tentação é grande. O dispositivo é implantado por meio de um procedimento que dura menos de uma hora. Em seis meses, perdem-se até 15% do peso.

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As vantagens têm sido profusamente divulgadas em anúncios na internet, em revistas e jornais por clínicas que oferecem a cirurgia com pagamento facilitado em até 36 vezes. Os médicos, contudo, desaconselham o uso do balão aos que não são obesos mórbidos. “O tratamento tem de oferecer menos riscos ao paciente do que a própria doença”, diz o cirurgião bariátrico Thomas Szegö. “Esse não é o caso quando se trata de pessoas que querem simplesmente emagrecer por estética.”

Uma das principais questões discutidas pelos especialistas refere-se aos efeitos colaterais do balão intragástrico. Na primeira semana de implantação, o organismo reage ao novo objeto por meio de dores abdominais fortes e vômitos constantes. Além de tomarem remédios contra cólica, 20% dos pacientes precisam ser internados para receber medicação intravenosa contra os enjoos. 

A secretária Kelly dos Santos, de 26 anos, está com o balão intragástrico há 45 dias. Ela sofreu cada um dos efeitos colaterais na primeira semana pós-operação. Mesmo assim, acredita que o sacrifício tem valido a pena. Em menos de dois meses, perdeu 17 quilos.

“Já passei por todo tipo de dieta e remédio para emagrecer e nunca havia perdido tanto peso em tão pouco tempo”, diz. “Mas sei que meu maior desafio ainda está por vir, quando o balão for retirado.”

Cerca de 90% dos pacientes recuperam todo o peso perdido após cinco anos sem o balão. Isso porque seu efeito é puramente mecânico (ao ocupar metade do espaço no estômago, faz com que o organismo, depois de uma refeição mais frugal, reaja como se o órgão já estivesse pleno de comida). Sem o balão, o apetite volta ao normal.

Os que não engordaram após a retirada do balão foram aqueles que se submeteram a consultas com nutricionistas, endocrinologistas e psicólogos, para aprender a se alimentar corretamente. “Não há nada no mundo que substitua o efeito duradouro proporcionado pelas mudanças dos hábitos de vida”, diz o cirurgião gástrico Marco Aurélio Santo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A dermatologista Caroline Santos, de 31 anos, está aprendendo a lição na prática. Há três meses, quando retirou o balão intragástrico, estava 18 quilos mais magra em relação ao início do tratamento. De lá para cá, engordou 2 quilos. Caroline passou a ter crises de compulsão. Diante de qualquer problema no trabalho, por exemplo, come tudo o que encontra na despensa, sem o menor critério.

“Já percebi que o balão não foi a solução para o meu problema de peso”, diz ela.

Como funciona o balão intragástrico

1 O paciente é sedado. Um endoscopio de 10 milímetros de diâmetro com uma camera na ponta localiza onde o balão intragástrico (vazio, obviamente) será colocado no estomago. Feito de silicone, o balão está ligado a um cateter.

2 O endoscopio é retirado e, por meio do cateter, o médico infla o balão com 500 mililitros de soro fisiológico misturado ao composto azul de metileno. Essa substancia serve de alerta para o caso de o balão estourar: ela tinge a urina, chamando a atenção do paciente, que deve imediatamente procurar ajuda médica. O procedimento dura de 40 minutos a 1 hora

3 O balão ocupa a metade do estômago. Depois de seis meses, ele é retirado com técnica semelhante à da sua colocação. Não se pode pôr outro

Texto Laura Ming imagensmil coisas[4]

Fonte .: Mil Coisas

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