Monthly Archives: Setembro 2011

Lágrimas dos ratos são afrodisíacas

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Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Tóquio permitiu concluir que as lágrimas dos ratos são afrodisíacas.

Sempre que uma fêmea entra em contacto físico com as lágrimas do macho, fica sexualmente excitada.

A culpa é de uma feronoma designada ESP1 (que os seres humanos não possuem), que faz com que as fêmeas fiquem mais receptivas ao acasalamento.

De acordo com Kazushige Touhara, um dos investigadores envolvidos no estudo, os ratos-macho choram para evitar que os olhos desidratem.

Para capturar essa feronoma, “as fêmeas têm que tocar no macho ou no seu ninho, uma vez que esta não é um composto volátil como as fragrâncias”, explicou ao diário “El Mundo”.

A investigação permitiu, pela primeira vez, perceber de que forma funciona a “interacção a nível molecular e cerebral”, diz o mesmo co-autor do estudo.

A equipa de investigação pondera patentear o feronoma como um instrumento “para aumentar as probabilidades de acasalamento dos ratos de laboratório”.

Fonte: Os Bichos

Luis Fernando Veríssimo na Terapia

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Depois de uma semana complicada como esta, acho que quem precisa de alguma terapia, sou eu!
Mas, um pouco de humor também ajuda e, este texto que recebi por mail junta as duas coisas: Terapia e Humor 🙂
………………….
O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco : o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles . Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera . Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um “
consultório médico“, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela ), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido ,
3. Um senhor de uns cinquenta anos e
4.
Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime . Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do “Harmonia do Samba “? Notei que o ténis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza . O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala . Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça . Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3)E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa . Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles . Tingido.
(4) Mas a melhor,
a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava na quinta dezena em dez minutos . Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.

Conto para ele a minha “viagem” na sala de espera.

Ele ri… Ri muito, o meu psicanalista, e diz:

– O Ditinho é o nosso office-boy.

– O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

– E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
“E você, não vai ter alta tão cedo….”

 
 

Pessoalmente não interessa

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Pessoalmente não interessa.
Sou um investidor, estas coisas não me interessam.

Ele é Alessio Rastani, um trader: compra e vende instrumentos financeiros, como acções, obrigações e derivativos.

Entrevistado pela BBC, Alessio tem previsto o default económico da inteira Europa no prazo de um ano. O que pode bem ser verdade, apesar dos delírios do Grupo Europe 2020 e do Geab deles.

Mas o que interessa aqui é outra coisa.
Melhor ver o vídeo:

Lindo, não é?
Alguns pontos a reter.

Os mercados não acreditam nos vários “resgates”. O que não admira, pois é preciso ser um otário para engolir esta história das “ajudas” do Fundo Monetário Internacional em parceira com o Banco Central Europeu: que atiram a corda para quem afunda, mas a cada metro pedem uma moeda para continuar a puxar.

Depois há a ideia segundo a qual quem manda não são os políticos, não são o Estados, mas os bancos. Nomeadamente um banco, Goldman Sachs. Quem segue este blog não terá ficado surpreendido com esta afirmação, nem vale a pena comentar.

O ponto mais interessante é a filosofia do trader: que assusta.
Alessio tem cara de bom rapaz, mas é um bom rapaz cujo cérebro foi moldado pela nossa sociedade: pelo que, o que mais interessa é o dinheiro, o resto são apenas acessórios. Alessio não quer saber dos problemas das pessoas, está nas tintas se tudo cair em pedaços: Alessio quer só estar pronto na altura certa para poder fazer dinheiro.

E qual a melhor altura para fazer dinheiro? As crises.
Enquanto as pessoas “normais” ficam preocupadas, enquanto milhões perdem o emprego, Alessio está feliz porque conhece a maneira de rentabilizar esta situação. Aliás, Alessio espera que milhões de pessoas percam o trabalho, é bom sinal, significa que o nosso mundo está cada vez pior e Alessio sabe como tornar isso uma mais valia.

A cosia mais espantosa é que, do ponto de vista dele, o raciocínio de Alessio não tem falhas. Faz sentido, faz todo o sentido. Não é Alessio um monstro, um freak: Alessio é o filho natural dum sistema não natural e doentio.

Inútil inculpar o rapaz (que existe: Forbes, BBC e New York Times já indagaram o bom Alessio, de origens iranianas, italianas e inglesas, sotaque americano, que afinal é quem diz der ser: um trader, nada mais de que um autêntico trader).

Quantos Alessio existem no mundo? Minha impressão: não poucos.
Se for verdade que os homens da finança pensam assim, se for verdade que os bancos gerem o mundo, então tudo fica muito, muito, mas mesmo muito mais claro.

Havia dúvidas por aí?

Ipse dixit.

Fonte: Youtube, La Stampa

 

Facebook – A Web Paralela

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Imagem da Web

Por Pedro Doria em 27/09/2011 na edição 661da Globo

Na semana passada, o Facebook anunciou uma série de mudanças na maneira como funciona e na sua aparência.O noticiário das próximas semanas é previsível.Usuários vão reclamar,
acusações de quebra de privacidade circularão, uns tantos vão deixar o
sistema em protesto. E depois tudo voltará a ser como dantes. Não é que os infelizes não tivessem suas razões. Tinham. Mas já aconteceu e essas coisas se repetem. Enquanto isso, mais um passo foi dado para a criação de uma internet paralela. Pois existem duas maneiras de enxergar o que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, está fazendo. A primeira é justamente a de uma internet paralela. Ela é organizada, bem acabada e absolutamente fechada. Já tem mais de 700 milhões de usuários. A segunda é a de que ele está construindo sobre a internet livre que todos usamos uma nova camada. Esta camada melhora a rede, facilita nossa vida e
nos transforma a todos em dependentes do Facebook. O Google já é assim. Dependemos dele. A rede é inimaginável sem o Google. Ser o segundo a conquistar tal status não é trivial. O Facebook está quase lá. Dois exemplos Para chegar lá, porém, algumas mudanças se fizeram necessárias. A primeira é mudar a alma por trás do botão “curtir”. Espalhado por toda a rede, presente em quase todo site, serve para que o usuário recomende em sua página de perfil no Facebook uma foto, um artigo. O “curtir” mudará. Quem faz programinhas para o Facebook poderá usar qualquer verbo. Um site de fotos poderá ter o selo “eu vi uma foto”, o jornal seu “li este artigo”. A mudança parece sutil, porém, ao implantar linguagem natural, algo de
fundamental muda. No seu Facebook, tudo aparecerá como uma lista de atividades lógica e humana
Agradável. É uma mudança fundamental porque também a home pessoal no Facebook mudará. Vira uma linha do tempo, com a lista de todas as atividades recentes até os muitos anos passados. Tudo o que você comentou, aquilo que leu na internet, as fotos das quais
gostou e as que publicou. As amizades que fez. De repente, a home no Facebook deixa de ser um retrato da atividade recente e vira história de vida. Um histórico de quem somos mas também de quem fomos. Quase um ensaio de biografia, com o registro não apenas daquilo que fizemos
dentro do Facebook mas também do que pinçamos no resto da rede. O Facebook cria uma camada social na internet toda. Contamos nossa história através da rede e a apresentamos para os amigos que fizemos nela. No mesmo compasso, o sistema traz para dentro de si informação. O britânico The Guardian e o New York Times são apenas dois exemplos de
sites que toparam construir uma versão de seus sites dentro do Facebook. Algo em troca Conforme a lista de parceiros se amplia, o que era um site, uma rede social,
passa a ser um universo paralelo dentro da rede. Tudo terá a cara do Facebook, limpo e organizado e fechado, protegido
daquele mundo caótico lá fora. Ao passo que cria uma camada na internet maior, busca replicar uma versão
selecionada dela lá dentro. O Facebook é a internet que o Google não vê. Totalmente fechado, não é indexado pelo site de busca. Juntos, e rivais, transformam-se nos nomes mais poderosos da rede. O que está em jogo é dinheiro. Conforme usamos sua busca e muitos serviços, o Google acompanha nossos passos pela web e transforma nossos padrões de comportamento em propaganda. O Facebook criou um sistema que tem o potencial de replicar o poder do
Google e ir além. Porque, lá dentro, ele não sabe apenas parte do que fazemos online. Sabe tudo. Quando usamos porque é útil e lúdico, damos algo em troca: nossas
identidades. Elas viram dinheiro fácil, seja para um, seja para o outro.

*** [Pedro Doria é colunista de O Globo]