“Clima vai causar ressacas, doenças e desempregos na Europa”, diz cientista

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(Charge ilustrativa)

Previsões constam de estudos apresentados em encontro na Bélgica.

Área mais atingida será o litoral dos países europeus.

O agravamento das ressacas marinhas, a fuga de espécies para o norte dos oceanos e o aumento de doenças causadas por bactérias serão algumas das consequências na Europa das mudanças no clima da Terra. Essas são conclusões de estudos que vão ser apresentados na quarta-feira (14), em um evento em Bruxelas, na Bélgica. Pesquisadores também analisaram a percepção dos moradores de dez países europeus sobre o agravamento desses impactos.
As conclusões são parte do projeto Clamer, fruto da colaboração de 17 institutos europeus de pesquisas marinhas. O relatório que será divulgado é a síntese de mais de 100 estudos, publicados desde 1998, que analisam os efeitos das mudanças climáticas sobre os ambientes marinhos da Europa.
O projeto também busca melhores formas de comunicar as conclusões científicas desses impactos. “Temos acumulado evidências convincentes e perturbadoras sobre as mudanças climáticas”, diz Carlo Hipe, diretor do Instituto Real para a Pesquisa Marinha. “E precisamos comunicar melhor o que temos. Todos devemos prestar mais atenção aos avisos claros dos perigos que enfrentaremos, o que poderá ser considerado uma experiência sem controle sobre o ambiente marinho”.
Coordenados pelo Conselho Marinho da Fundação Europeia da Ciência, os estudos publicados avaliaram os ambientes nos Mares Mediterrâneo, Negro, Báltico e do Norte, no Oceano Ártico e no nordeste do Oceano Atlântico.
 

Mapa das áreas costeiras vulnerávei na Europa (Foto: Projeto Clamer e Agência Europeia de Meio Ambiente) 

Mapa das áreas costeiras vulneráveis na Europa (Foto: Projeto Clamer e Agência Europeia de Meio Ambiente)

Um dos problemas levantados no estudo é a dificuldade em prever com precisão onde os impactos vão ocorrer. Estimar os custos desses eventos é outro problema, pois os cientistas afirmam que alguns dos impactos vão ser generalizados, enquanto outros serão pontuais.
Entre os possíveis impactos previstos para as próximas décadas estão:
Aumento dos riscos e custos com doenças. Milhões de euros vão ser gastos com despesas de saúde. O consumo de frutos do mar contaminados e as doenças transmitidas pela ingestão de água contaminada, até durante a recreação ocasional, vão ser os princpais responsáveis por esses gastos. O aumento da temperatura do oceano também pode causar a proliferação de bacterias do gênero Vibrio, que causa gastroenterintes graves e até a septicemia (infecção generalizada).
Danos à propriedade. A elevação do nível do mar, combinada com ondas maiores no Atlântico Norte e tempestades mais frequentes, ameaça tomar até 500 metros da costa de alguns países. O estudo alerta que 35% da riqueza europeia é gerada dentro dessas áreas. A elevação do nível do mar de 80 a 200 centímetros poderia acabar com países inteiros. Além das inundações e dos danos econômicos, pode haver a migração de populações dessas áreas inundadas, a salinização do solo e da água e a perda de zonas úmidas.
 

Erosão na costa de Biarritz, na França (Foto: Projeto Clamer e Agência Europeia de Meio Ambiente) 

Erosão na costa de Biarritz, na França (Foto: Projeto Clamer e Agência Europeia de Meio Ambie

Tempestades mais freqüentes e intensas estão projetadas para o Norte da Europa. As áreas afetadas também incluem uma faixa que vai do sul da Inglaterra ao norte da França, à Dinamarca e ao norte da Alemanha e da Europa Oriental. Os danos anuais causados por esses fenômenos devem crescer 21% no Reino Unido, 37% na Alemanha e 44% em toda a Europa, com um aumento de 104% nas perdas em uma para cada 100 das tempestades anuais.
Redução dos estoques pesqueiros. Os cientistas do Clamer sugerem a necessidade de redução da pesca comercial na Europa. Isso porque o aquecimento das águas e acidificação dos oceanos alteram o teor de oxigênio da água, fazendo com que muitos cardumes migrem para os oceanos ao norte do planeta. Entre as espécies que podem ser extintas pelo fenômeno estão o bacalhau no mar Báltico e o Aristeus, uma tipo valioso de camarão. A segurança alimentar de países de baixas latitudes vai ficar seriamente prejudicada.
O que pensam os europeus sobre os estudos.
A pesquisa também avaliou o que pensam os europeus sobre os efeitos das mudanças climáticas. O objetivo da análise é encontrar melhores formas de comunicar os resultados científicos encontrados para o aquecimento global.
Foram ouvidos 10 mil moradores de dez países do continente. O estudo revelou preocupação generalizada com as mudanças climáticas. A preocupação com a elevação do nível do mar e a erosão costeira é o maior temor dos europeus.
Cerca de 86% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas sáo causadas, principalmente, por causas das atividades humanas.

http://g1.globo.com/natureza/ 

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