Pessoalmente não interessa

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Pessoalmente não interessa.
Sou um investidor, estas coisas não me interessam.

Ele é Alessio Rastani, um trader: compra e vende instrumentos financeiros, como acções, obrigações e derivativos.

Entrevistado pela BBC, Alessio tem previsto o default económico da inteira Europa no prazo de um ano. O que pode bem ser verdade, apesar dos delírios do Grupo Europe 2020 e do Geab deles.

Mas o que interessa aqui é outra coisa.
Melhor ver o vídeo:

Lindo, não é?
Alguns pontos a reter.

Os mercados não acreditam nos vários “resgates”. O que não admira, pois é preciso ser um otário para engolir esta história das “ajudas” do Fundo Monetário Internacional em parceira com o Banco Central Europeu: que atiram a corda para quem afunda, mas a cada metro pedem uma moeda para continuar a puxar.

Depois há a ideia segundo a qual quem manda não são os políticos, não são o Estados, mas os bancos. Nomeadamente um banco, Goldman Sachs. Quem segue este blog não terá ficado surpreendido com esta afirmação, nem vale a pena comentar.

O ponto mais interessante é a filosofia do trader: que assusta.
Alessio tem cara de bom rapaz, mas é um bom rapaz cujo cérebro foi moldado pela nossa sociedade: pelo que, o que mais interessa é o dinheiro, o resto são apenas acessórios. Alessio não quer saber dos problemas das pessoas, está nas tintas se tudo cair em pedaços: Alessio quer só estar pronto na altura certa para poder fazer dinheiro.

E qual a melhor altura para fazer dinheiro? As crises.
Enquanto as pessoas “normais” ficam preocupadas, enquanto milhões perdem o emprego, Alessio está feliz porque conhece a maneira de rentabilizar esta situação. Aliás, Alessio espera que milhões de pessoas percam o trabalho, é bom sinal, significa que o nosso mundo está cada vez pior e Alessio sabe como tornar isso uma mais valia.

A cosia mais espantosa é que, do ponto de vista dele, o raciocínio de Alessio não tem falhas. Faz sentido, faz todo o sentido. Não é Alessio um monstro, um freak: Alessio é o filho natural dum sistema não natural e doentio.

Inútil inculpar o rapaz (que existe: Forbes, BBC e New York Times já indagaram o bom Alessio, de origens iranianas, italianas e inglesas, sotaque americano, que afinal é quem diz der ser: um trader, nada mais de que um autêntico trader).

Quantos Alessio existem no mundo? Minha impressão: não poucos.
Se for verdade que os homens da finança pensam assim, se for verdade que os bancos gerem o mundo, então tudo fica muito, muito, mas mesmo muito mais claro.

Havia dúvidas por aí?

Ipse dixit.

Fonte: Youtube, La Stampa

 

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